Como os pinguins me ajudaram a entender Deus

Este é um dos grandes livros que marcaram a minha caminhada até aqui: Blue Like Jazz (Como os pinguins me ajudaram a entender Deus) de Donald Miller.

Ao meu ver, o que faz desse livro especial? O autor é muito honesto em suas declarações, tirando qualquer condição de como “agradar” o leitor. Ao invés, compartilha suas próprias experiências com Deus, suas dúvidas, suas indagações e descobertas. Apresenta ensaios inteligentes e bem-humorados que mostram o caminho que o autor percorreu em busca de uma espiritualidade saudável e do crescimento emocional.

Blue Like Jazz ficou 20 semanas na lista dos mais vendidos do The New York Times.

Gostaria de deixar um trecho do Capítulo 2 do livro:

Algumas pessoas passam pela vida; outras pessoas são arrastadas por ela. Eu às vezes fico pensando se nós estamos nos movendo através do tempo ou se o tempo está se movendo através de nós. Meu brilhante amigo Mitch diz que a luz, diferentemente de qualquer outra coisa no universo, não é afetada pelo tempo. A luz, diz ele, existe fora do tempo. Ele me conta que isso tem algo a ver com a velocidade a que ela viaja e que ela é eterna, mas ainda é um mistério para os físicos.

Só digo isso porque o tempo continua a se mover através de mim. Quando eu era jovem, achava que tinha todo o tempo para descobrir as coisas. (Refiro-me aqui a ter me comparado a Hitler). Mas eu não tinha… eu não tinha tempo para descobrir as coisas. Acredito que a maior armadilha do diabo não é nos levar para o mal, mas nos fazer perder tempo. É por isso que o diabo se esforça tanto para fazer com que os cristãos sejam religiosos. Se ele conseguir entorpecer a mente do homem pelo hábito, impedirá que seu coração se ligue a Deus. Eu tinha o hábito. Eu cresci indo à igreja, então me acostumei a ouvir sobre Deus. Ele era como Tio Harry ou Tia Sally, exceto pelo fato de que não temos fotos dele.

Deus também nunca mandava presentes. Nós tínhamos aquela casa deprimente, aquele carro deprimente, e eu tinha espinhas. Retrospectivamente, imagino que Deus tenha mandado entardeceres, florestas e flores, mas o que é isso para um garoto? A única coisa que eu tinha ouvido de Deus tinha sido o que eu ouvi na véspera de Natal, a história que contei, de quando Deus me fez sentir muito culpado e eu não gostei nada daquilo. Eu não achava que conhecia Deus, ainda assim ele estava me fazendo sentir essa convicção. Eu achava que o mínimo que ele poderia ter feito seria descer, se apresentar e explicar pessoalmente aquela sensação de condenação.

Se você não ama alguém, é irritante quando elas dizem a você o que fazer ou o que sentir. Quando você as ama, você extrai prazer do prazer delas, e isso torna mais fácil atendê-las. Eu não amava Deus porque não conhecia Deus.

Mas eu sabia, por causa de meus próprios sentimentos, que havia algo errado comigo; e sabia que não era apenas comigo. Eu sabia que era com todo mundo. Era como uma bactéria, um câncer ou um transe. Não estava na pele; estava na alma. Isso se revelava em solidão, luxúria, raiva, inveja e depressão. Esse algo criava pessoas desajustadas em todo lugar – nas lojas, em casa, na igreja; um problema grave e profundo. Muitos cantores no rádio estavam falando disso, e os policias tinham emprego por esse motivo. Acho que é como se estivéssemos partidos, como se nunca devêssemos sentir essas emoções pegajosas. Era como se estivéssemos em frangalhos, não conseguíssemos sentir coisas boas durante muito tempo sem que estragássemos tudo. Éramos como motores a gasolina funcionando com óleo diesel. Eu era só um garoto, então não conseguia colocar em palavras, mas todo garoto sente isso. (E aqui me refiro à fragmentação característica da vida). Um garoto acha que há monstros debaixo da sua cama, ou se tranca no quarto quando seus pais brigam. Desde pequenos nossas almas são ensinadas a crer que no mundo há conforto e desconforto, um bem e um mal ou, se preferem, o amoroso e o assustador. A mim parecia que havia muito do assustador, e eu não sabia por que isso existia…

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